Vitalidade Fetal

A Kunumi em parceria com a pesquisadora Lisandra Stein (especialista em medicina e cirurgia fetal), o pesquisador Dr. Daniel Ciampi (especialista em Dor Crônica), o Prof. Adriano Veloso (Coordenador do Laboratório de Inteligência Artificial da UFMG) e o Prof. Nivio Ziviani (especialista em Inteligência Artificial) desenvolveu uma solução utilizando técnicas de Inteligência Artificial capaz de avaliar a escala de dor em fetos a partir de imagens de ultrassonografias.

A vitalidade fetal é o termo utilizado para se referir ao bem estar fetal, ou seja, um feto com boa vitalidade é aquele que não apresenta sinais de sofrimento, seja crônico ou agudo. Estudos apontam que a estrutura neurobiológica cerebral necessária para o que chamamos de dor, está presente em fetos humanos a partir da vigésima semana de gestação e supõe-se que no terceiro trimestre de gestação o feto humano possa sentir dor aguda e, provavelmente, dor crônica. Nessa perspectiva, a exposição prolongada a circunstâncias de dor pode gerar diversos efeitos colaterais na vida do feto e técnicas capazes de avaliar a presença e intensidade da dor contribuem para identificar desconforto e o sofrimento fetal precocemente. Embora existam algumas escalas de dor para contribuir na avaliação da dor em recém nascidos, até recentemente, não se tinha conhecimento de nenhum método para detectar a dor antes do nascimento. A análise de ultrassonografias é uma das abordagens utilizadas para identificar sinais relevantes durante a gestação. Entretanto, fetos saudáveis podem exibir várias expressões faciais não relacionadas à dor e a subjetividade do ultrassom ainda dificulta o diagnóstico.

O grupo de pesquisa propõe uma nova forma de avaliar a dor em fetos. A metodologia usa ultrassonografia (4D) da face de fetos para avaliar expressões faciais e relacioná-las a estados de dor. Para o desenvolvimento desta escala de avaliação de dor em fetos, expressões faciais fetais foram observadas em três condições. Em um primeiro momento, fetos com indicação de cirurgia intrauterina foram gravados durante a injeção de anestésico para avaliar comportamentos de resposta à dor aguda. No grupo controle, ou seja, aquele que não apresenta dor, as expressões faciais dos fetos em repouso foram registradas durante os exames de ultrassom de rotina. E por fim, expressões faciais foram registradas por 45 segundos antes e depois de um estímulo acústico. O estimulador nesse caso se assemelha a uma buzina de bicicleta e foi aplicado próximo ao abdômen materno por 4 segundos. Importante destacar que nessa pesquisa foi utilizada uma estimulação por tempo e frequência adequadas para produção de uma percepção acústica intrauterina relevante, mas que ao mesmo tempo fosse segura para o feto.

A partir dos experimentos descritos acima, a equipe de pesquisa conseguiu, através de técnicas de aprendizado de máquina, em particular, aprendizado profundo, automatizar a avaliação de dor em fetos. De forma sucinta, a solução consegue determinar se os fetos estão ou não experimentando dor a partir de imagens de ultrassonografia 4D da face dos fetos. Vale ressaltar que as imagens são coletadas em apenas 30 segundos por técnicos treinados.

O próximo passo da pesquisa visa a testar, de forma prospectiva, o algoritmo de detecção de análise facial em fetos durante a gestação junto aos outros métodos tradicionais de avaliação pré-natal de vitalidade fetal. Nesse sentido, comparado a outros exames, como o Teste de Apgar e a pHmetria sanguínea do cordão umbilical fetal, pretende-se entender o ganho de sensibilidade e especificidade do uso da análise facial de fetos para a detecção da Vitalidade fetal.

Acreditamos que com esta medida, a subjetividade do ultrassom tradicional e da cardiotocografia podem ser ultrapassadas pela análise digital facial, promovendo além da redução de custos, uma maior acurácia na detecção da perda de vitalidade fetal antes do parto. Este estudo foi aprovado pelo Conselho de Revisão Ética do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Todos os pacientes deram consentimento para participar do estudo e para registrar as reações comportamentais dos fetos.

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